Existe uma ilusão muito própria do nosso tempo: A crença de que qualquer sofrimento, inquietação ou ansiedade pode ser resolvido se pensarmos o suficiente a respeito. Herdamos da tradição cartesiana a ideia de que somos, fundamentalmente, uma mente que habita um corpo, como se o organismo fosse apenas um veículo de transporte para uma mente razoável.
Quando o estresse surge, nossa primeira reação costuma ser intelectualizá-lo. Investigamos as causas, ponderamos os cenários futuros, remoemos o passado e tentamos construir uma solução lógica para a angústia.
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Feche os olhos somente por alguns instantes. Respire fundo. O que acontece em seguida? Certamente o silêncio não é o que se apresenta. Em vez disso, uma enxurrada de pensamentos pendentes, diálogos imaginários, cobranças sobre o futuro e ecos do passado invadem o cenário da consciência. A sensação imediata é de frustração e talvez você diga para si mesmo algo como: “Eu tento meditar, mas fico ainda mais ansioso. Minha mente não para. Isso definitivamente não é para mim.”
Se você já passou por essa experiência, saiba que você não está sozinho e, mais importante, você não está fazendo nada errado. Isso é uma impressão de muitos quando tentam meditar pela primeira vez e mesmo para pessoas que tem se esforçado em aprender, mas não encontraram boa orientação.
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Nos últimos anos tenho recebido cada vez mais alunos indicados por psiquiatras e psicólogos. A vanguarda da pesquisa científica tem comprovado como o mindfulness é um grande parceiro deste cuidado com a mente e as emoções. Além de indicações médicas, tenho visto também uma procura alta de atletas e líderes de empresas de inúmeras ramos.
Como professor eu fico feliz com o depoimento de alunos e alunas sobre a redução do estresse e o aumento do bem-estar geral, que muitas vezes já podem ser sentidas com apenas 15 minutos de uma prática de meditação bem orientada.
Porém, quais são as maiores transformações que a meditação pode nos oferecer? Até onde esta prática pode nos levar?
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Em um mundo que parece ter esquecido como parar, onde a mente corre em uma velocidade que o corpo raramente consegue acompanhar, existe um refúgio silencioso que levamos conosco por toda parte.
Não é um destino geográfico, nem um estado de transe místico; é, surpreendentemente, o movimento rítmico do ar passando pelas nossas narinas.
Mas porque a respiração é tão estudada na ciência e apontada por milênios em diversas tradições meditativas como um caminho poderoso de saúde?
O resgate da atenção à respiração é, em última instância, um resgate da sensação de estarmos vivos e um reencontro com nós mesmos.
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Na correria do dia a dia, a meditação costuma ser tratada como “mais uma tarefa”: sentar, silenciar, fazer do jeito certo, ter disciplina perfeita. Só que a prática, na sua essência, não depende de um tapete, de incenso ou de meia hora livre. Ela depende de um gesto simples: retomar a sua presença. E uma das formas mais acessíveis de nos presentearmos com esse retorno é caminhando.
A gente caminha todo dia, mas quase sempre sem estarmos realmente ali. O corpo vai no automático, a mente corre para a próxima tarefa, e o sistema nervoso segue em modo “alerta”. A boa notícia é que você não precisa esperar a próxima folga para voltar ao presente: dá para transformar 5 ou 10 minutos de caminhada em uma prática real de meditação.
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“Nós, seres humanos, perdemos a confiança de que o corpo simplesmente sabe o que fazer. Se temos tempo sozinhos, entramos em pânico e tentamos fazer muitas coisas diferentes. A respiração consciente nos ajuda a reaprender a arte de descansar. A respiração consciente é como um pai amoroso que embala um bebê, dizendo: — Não se preocupe, vou cuidar de você. Só descanse.”
~ Thích Nhất Hạnh
Existe um tipo de cansaço que não se resolve com uma noite de sono. Seria um cansaço que mora nos bastidores, como se o corpo nunca tivesse recebido a autorização para realmente repousar.
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Nos últimos anos, a palavra Flow começou a aparecer em conversas sobre esportes, música, arte e alta performance. Mas, por trás do termo da moda, existe algo muito mais profundo: um estado de consciência em que nos tornamos, ainda que inicialmente por alguns instantes, a melhor versão de nós mesmos.
Você provavelmente já sentiu o estado de Flow, mas talvez não o nomeou desta forma. Normalmente, quando nos lembramos por longos tempos de uma experiência significativa, conseguimos recordá-la pois quando a tivemos, estávamos no estado de Flow.
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Em um mundo que gira em ritmo frenético, onde a notificação do celular compete com a paisagem e a mente divaga entre mil e uma preocupações, a busca por um refúgio interior se torna cada vez mais premente. A meditação, outrora vista como um exótico ritual monástico, emerge hoje como uma bússola essencial para navegar a complexidade da existência. Mas o que realmente significa meditar? É parar de pensar, sentar-se como uma estátua de Buda intocada pelo mundo, ou uma jornada mais profunda e surpreendente?
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Uma das raízes do sofrimento humano, na visão da filosofia budista, está no que Buddha chamou de duḥkha, que pode ser traduzido como insatisfação. Isto se aplica hoje, da mesma forma que há 2.500 anos atrás. Hoje vivemos cada vez mais em busca de recompensas rápidas, quando conquistamos aquilo que desejávamos, depois de um tempo já desejamos outras coisas, nunca é suficiente. Mas essa sensação de insatisfação tem um antídoto: ampliarmos a visão e o coração para colhermos o que temos de bom aqui e agora. Pois é somente neste instante presente que podemos perceber que a vida em toda a sua magnificência se manifesta, não só nas belezas naturais, mas também através de nós mesmos e de nosso próprio olhar.
Essa amplidão da visão e do coração é o que podemos chamar de maravilhamento. O estado de maravilhamento com a vida parece requisitar, inicialmente, uma postura interior contemplativa, que por sua vez acontece quando há um encontro integral e silencioso com o momento presente.
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