Saúde integral é sinceridade

As 4 revoluções no caminho do autoconhecimento

Esqueça ficar em paz o tempo todo, sentir gratidão por tudo, parar de pensar durante a meditação, se alimentar perfeitamente, comer de 3 em 3hs, nunca entrar em discussões, não “baixar o nível vibratório” e ter o corpo perfeito.

Gente, isso não é saúde integral, isso é o crítico interior tomando o poder de voz central na busca por perfeição e isso não é Saúde. Isso só nos leva a nos sentirmos mal conosco, a nos compararmos com os outros, leva ao distanciamento e à sensação de fracasso.

A Saúde Integral é o cuidado respeitoso com a plenitude de nosso ser – corpo, mente, emoções e espiritualidade – Ela pede abertura para ser, que possamos estar onde estamos para seguirmos. Em você agora está presente todos os recursos necessários para o próximo passo. Se há tristeza*, há um pedido: “pare de seguir esse caminho, pare de alimentar esses pensamentos”. Se há raiva, há um pedido: “é necessário que coloquemos limites, há algo errado, há invasão e desrespeito, tome essa energia disponível (que chamamos de raiva) e use para colocar limites e responder a isso”. Se há medo, há um pedido: “é necessário cautela, cuidado, veja e clareie antes de dar um passo, aqui está uma trava, use-a bem, pare e olhe com critérios antes de seguir”. Se há ansiedade: “Há energia para você colocar em prática o que é necessário realizar”.

*É importante verificar se aquela emoção é mesmo a original, às vezes a tristeza pode apenas ser a máscara da raiva. Especialmente se eu tenho dificuldade em lidar com a raiva, isso pode acontecer. Procure um profissional de psicologia capacitado para te ajudar a reconhecer com clareza todos os sinais que seu sistema está enviando para você conseguir cuidar bem de si.

Além de todos os sinais de nosso sistema corpo-mente (sempre integrado, meus queridos) que nos indicam o caminho de cuidado, há sempre um Mestre Interior. É de essencial importância que você aprenda a escutar o seu. Não há nada mais importante nessa vida do que isso, pois sem esse Sábio Interior, como faremos? Dependeremos de algo externo? Nada externo é estável, mas, no entanto, uma vez descoberto o caminho interior para o seu Centro Orientador, ninguém nunca pode tirar isso de você.

Essa é a primeira grande revolução do caminho de autoconhecimento, o reconhecimento de um poço de sabedoria aí mesmo, no seu simples eu. Mas esse mestre tem uma voz sutil, você precisa aprender a ouvi-la e a discerni-la de outras vozes, que podem estar adoentadas. Precisa aprender a fazer perguntas para ele, ou não haverá respostas. Precisa aprender quais perguntas realizar, ou seja, precisamos olhar para o que não sabemos, que antes achávamos que sabíamos.

A segunda grande revolução do caminho do autoconhecimento é conversar com todos os aspectos de si com profunda sinceridade. Ouvir e dialogar com a criança interior, o pai, a mãe interior, o excluído interior, entre outros, mas principalmente o crítico interior, ou continuaremos travados nos mesmos padrões repetitivos, posturas rígidas e papéis inflexíveis, além das mesmas estratégias ruins para lidar com a vida (cito algumas: distanciamento, projeção, uso de máscaras, vitimização e justificação de comportamentos incongruentes).

Todo esse diálogo interno começa a criar a integração do sistema psíquico, os conflitos vão distensionando e dando espaço ao caminho da paz e da liberdade de vivenciar a si, e isso reflete na liberdade de vivenciar a vida em sua integralidade e os relacionamentos em sua profundidade. É uma virada de chave realmente espetacular. Acompanho várias pessoas nessa jornada através do processo terapêutico clínico da psicologia e meu coração enche de alegria quando lembro das carinhas lindas dos meus clientes entendendo que é simples (não é fácil, mas é simples sim, é um click).

Recapitulando: Além de compreender que você sabe mais do que você imagina (1ª revolução), acesse cada vez mais a si e vá conversando e integrando os vários aspectos de si, até você se tornar receptivo o bastante para o insight da terceira revolução:

A terceira grande revolução é a que eu chamo de “despertar o Neo do Matrix”.  Não sei se todos vocês assistiram o filme Matrix. Quem não viu não está perdoado, rs… brincadeira, mas precisa ver! Trata-se de uma ficção que nos abre para uma metáfora maravilhosa sobre o mundo interno de condicionamentos (Matrix), este seria todo o “programa” que achamos ser “a verdade”, porém é uma interface que possibilita a experiência dentro dessa Matrix. O “despertar” e realmente VER a Matrix, ao invés de apenas ir vivendo a Matrix, é um passo essencial para no caminho do autoconhecimento.

É muito importante verificar que seus pensamentos e emoções são apenas a forma como você está captando e respondendo à vida, mas não precisa ser sempre assim, é importante que você comece a escolher o modo como você vai estar com sua experiência, ao invés de apenas agir impulsivamente, e portanto sem liberdade, ou lutar contra a experiência. Repito: A grande questão é o MODO como você está com a experiência, não lute contra a experiência, aprenda com ela e saiba responder a ela.

Quem já passou pelas fases 1 e 2 já acessa um espaço interno de diálogo e reflexões livres. Ter espaço interno te possibilita ver e não apenas reagir às emoções e pensamentos. Podemos descobrir que há uma liberdade interna de resposta coerente. Quando há um objeto interno aversivo, uma imagem interna triste ou o crítico interno atacando feito um doido, o que o Neo faz?

Isso mesmo baby, o Neo diz “pode vir o que vier” pois ele sabe que consegue olhar para a Matrix (mundo interno de modo geral) e se posicionar como O NEO e não mais como Mr. Anderson. Ou seja, trazer a si mesmo para o centro de sua vida e não permitir que o “crítico interno” ou a “criança interna” ou “o grande sofredor” ocupem tal lugar central.  Então, é muito importante clarear o que não somos: Eu não SOU os pensamentos, eu os observo, eu não sou minhas emoções, eu não sou todos os papéis internos (condicionamentos da criança, do crítico, do medroso etc), mas sim eu sou o Centro, a consciência verdadeira que consegue ver toda essa matrix e tenho a capacidade de recodificar os programas da matrix.

Vou contar para você uma das primeiras experiências que tive e realmente senti que conseguia reprogramar/manipular os condicionamentos da matrix, os “programas” disfuncionais. Vou contar para você:

Entrei em estado de relaxamento e abertura, pois facilita o diálogo interno, mas que não é tão essencial depois de muita prática. Estava com a pergunta: “Porque eu não consigo mudar hábitos que eu já verifiquei que não me fazem bem, porque eu continuo repetindo o que me faz mal ou em nada me acrescenta?”.

Fiz a pergunta e aguardei. É importante que você não vá já respondendo tudo com os esquemas que você já sabe, lembre-se que é essencial ir para o novo, o desconhecido, então a postura interna é ficar em silêncio interior, por isso é importante praticar a Meditação para conseguir fazer isso, ou você só vai para os esquemas que você já sabe e as respostas nunca estão no que você já está careca de saber, lógico. Não é à toa que o nome Neo vem do grego neo (νεο) e significa novo, atualizado.

De meu Mestre Interior, como um insight, nasceu a resposta espontânea e nova: “Você continua com hábitos antigos pois a sua crença sobre o que é felicidade para você, está toda bagunçada”.

Como uma boa Neo, eu sei que consigo dar comandos, e falei: “Me mostra isso”. Nesse momento vi, com minha imaginação ativa, um espaço cheio de gavetas, fichas e papéis e mais papéis, todo desorganizado, com alguns brinquedos misturados a outros objetos. Quando eu pensei em organizar tudo, papel por papel, senti que demoraria muito tempo, e que eram crenças antigas de toda forma. Dei o comando: “Classificar tudo isso como crenças antigas sobre a felicidade”. No mesmo instante vi que tudo se compactou e foi classificado literalmente com esse “selo” de crenças antigas. Um espaço grande se abriu em minha frente na forma de imagem e sensação sentida também. Muito alívio e leveza nasceram. Reconheci que era um espaço potencial.

Resolvi abrir para meu Centro responder novamente. Pedi para ele, “Mostre o que é felicidade para mim. O mais atualizado, congruente e coerente comigo mesma a respeito do que é Felicidade”.  No mesmo instante vi uma torre de luz, clara, leve e simples. Vinha de cima para baixo, como um holofote de luz e eu precisava me alinhar com ela. Ficar nesse lugar, nessa conexão, é o que mais me faz feliz e é também a minha missão aqui nessa vida, ser canal que lança luz e clareia, sem muita coisa no meio do caminho, algo mais direto, reto, leve, simples. E bastava minha abertura e entrega para essa intuição, bastava abertura radical de minha parte.

Muitas vezes as respostas vêm na forma de imagens internas simbólicas com milhares de significados implícitos. Para realmente compreendermos uma experiência dessas muitas vezes precisamos de muito tempo, e como as imagens continuam vivas e ativas na psychê, elas viram pontos de ancoragem e fonte de insight em outros momentos, quando nos esquecemos de ocupar o local central. Sim gente, esquecemos que somos o Neo.

Então, a revolução é um processo, não é uma linha reta sequencial um “cheguei aqui, tive uma experiência iluminadora ou uma experiência mística alta, de reconhecimento profundo da vida, agora estou pronto”. Já aviso, você vai cair, e isso faz parte do processo. Não dá para pular essa fase, já aceita. Aí vem a melhor revolução, que não deixa espaço para “egos inflados “sou o Neo””:

A quarta revolução é a do “Retome e volte a lavar a louça”: Recomece, haverá novas dores, novos processos, novas lembranças de traumas, novos traumas, novos vacilos, muitas perdas. E talvez você se sinta soterrado por tudo isso. Não precisa ter pânico, isso era até esperado. Volte e recomece, crie espaço, clareie, converse com o conflito, veja qual aspecto/complexo/personagem está sofrendo, veja profundamente, lance luz e continue expandindo a consciência -> Esse é o nosso caminho.

Antes de finalizar gostaria apenas de lembrar-lhes que aponto neste artigo um caminho de muita independência interior mesmo, porém só alcancei esta independência, esse acesso ao meu Mestre interior, pois fui acompanhada em parceria profunda por mestres exteriores: Professores de psicologia, Terapeutas, Consteladores, Monges Budistas, Mestres de Vedanta, minha mãe, meu marido, minha avó, meu avô, meus professores das sombras também foram muito importantes (aquelas pessoas que te arregaçam e podem te ensinar algo através da dor, se você resolver aprender). Não tive um Guru que estava inserido em uma religião ou seita.  Mas se um Guru for uma pessoa autêntica e sincera, ele pode te ajudar também. Mas nunca esqueça que o maior professor é a Vida e seu Mestre Interior. Apenas nesse Mestre Interior você pode acreditar 100%. Então não é possível realizar o processo de autoconhecimento sozinho, simplesmente é impossível, posso depois escrever mais sobre isso se vocês quiserem. Mas, por enquanto, fiquem com esse horizonte de possibilidades que existe dentro de todos nós, sempre em consonância com as nossas experiências vividas e sentidas.

[Só conseguimos enxergar mais longe porque subimos nos ombros dos grandes. Faço questão de sempre citar as fontes: Baseado nas teorias de Carl Jung, Jack Kornfield, Eugene Gendlin, Sigmund Freud, Joseph Campbell, Carl Rogers e Luigi Giussani]

~ Débora Nogueira
Psicoterapeuta, Terapeuta Ayurveda e Professora de Meditação

Você se lembrou de uma pessoa que necessita despertar o Neo interno?
Compartilhe esse artigo com ela, compartilhar é cuidar.
Deixe seu comentário abaixo, quero te ouvir!

Não perca nenhuma novidade do Blog, inscreva-se em nossa Newsletter
e nos acompanhe no Instagram @institutoentreser

Tags:

3 comentários

  1. Debora, amei o texto. Me emocionei.
    Denso e leve !!!!! Intenso e suave !!!!
    Firme e vulnerável!!!!
    Vou ler de novo e de novo…..e me organizar para colher flores ali, nele!!!

    Mary Rose
  2. Muito bom! Texto inspirador e desvelador! Muito grato! 🙏🏾😊

    Júlio
    1. Júlio, meu amigo, que bom ter o seu feedback! Depois conversamos mais… 😉

      Instituto EntreSer

Envie seu comentário

Copyright 2020 ©  Instituto EntreSer – Todos os direitos reservados

r.ramos infotec

Receba nosso Conteúdo

Miminizar Maximizar Fechar